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Foresea mostra que grandes resultados começam muito antes da descoberta de petróleo

Juliana Frasson
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Foresea mostra que grandes resultados começam muito antes da descoberta de petróleo

O que a operação do poço Morpho ensina sobre gestão, segurança, pessoas e visão de longo prazo

A identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, colocou novamente a Margem Equatorial no centro das atenções da indústria brasileira de petróleo e gás.

Mas existe outra história acontecendo por trás dessa descoberta.

Uma história sobre gestão.

O navio-sonda ODN II, operado pela Foresea, participa da campanha da Petrobras na região. Depois do anúncio da identificação de hidrocarbonetos, Rogério Ibrahim, CEO da Foresea, esteve a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá para visitar a unidade e conversar diretamente com os profissionais envolvidos na operação.

Na mensagem publicada após a visita, Ibrahim resumiu alguns dos elementos que, segundo ele, permitiram chegar ao resultado: preparo, trabalho em equipe, disciplina, comprometimento, segurança, responsabilidade socioambiental e excelência operacional.

Pode parecer apenas uma mensagem de agradecimento aos trabalhadores.

Mas existe uma importante lição de gestão escondida nessas palavras.

Grandes resultados raramente começam no dia em que eles aparecem.

Eles são construídos meses e, muitas vezes, anos antes.


Antes do resultado existe a gestão

No petróleo, normalmente enxergamos o resultado final.

Uma descoberta.

Um poço concluído.

Um contrato conquistado.

Uma plataforma entrando em operação.

Um recorde de produção.

Mas existe uma enorme estrutura de gestão trabalhando silenciosamente antes que qualquer um desses resultados aconteça.

No caso de uma operação de perfuração offshore, estamos falando de planejamento, manutenção, engenharia, logística, treinamento, gestão de riscos, segurança, procedimentos, liderança e milhares de decisões tomadas diariamente.

É justamente aí que a trajetória recente da Foresea chama atenção.

A companhia nasceu com a atual marca em junho de 2023, após uma reestruturação empresarial, mas carrega mais de quatro décadas de experiência em perfuração offshore. Sua história operacional remonta à primeira empresa privada brasileira a prestar serviços de perfuração offshore para a Petrobras. Atualmente, opera uma frota própria formada por quatro navios-sonda para águas ultraprofundas e uma unidade semissubmersível, além de prestar serviços de operação e gestão de ativos de terceiros.

Essa combinação entre experiência histórica e uma estrutura empresarial relativamente nova ajuda a explicar uma característica interessante da companhia: ela precisou preservar conhecimento acumulado e, simultaneamente, construir uma nova cultura organizacional.


Segurança não é custo. Segurança é gestão.

Existe uma ideia que precisa ser repetida dentro da indústria:

Segurança não é custo.

Segurança é investimento.

E, principalmente, segurança é gestão.

Uma empresa pode economizar durante anos reduzindo manutenção, treinamento, inspeções e investimentos em integridade.

Financeiramente, aquilo pode até parecer eficiente no curto prazo.

Até o dia em que alguma coisa acontece.

No offshore, as consequências de uma decisão errada podem ser gigantescas.

Por isso, talvez um dos indicadores mais interessantes da Foresea não esteja apenas em seus contratos ou em seu faturamento.

Está na disponibilidade operacional.

No segundo semestre de 2024, a companhia alcançou aproximadamente 99% de uptime operacional. A própria Foresea afirmou que aquele foi seu melhor desempenho desde o início de suas operações de perfuração offshore.

É difícil separar esse número de gestão.

Equipamentos disponíveis dependem de manutenção.

Manutenção depende de planejamento.

Planejamento depende de pessoas.

Pessoas dependem de treinamento.

E tudo isso depende de uma cultura organizacional capaz de transformar segurança e confiabilidade em prioridades permanentes.


Manutenção não pode começar quando o equipamento quebra

Outro exemplo interessante aconteceu com o navio-sonda Norbe VIII.

Durante sua parada especial programada, mais de mil trabalhadores participaram de uma intervenção que envolveu posicionamento dinâmico, revisão de propulsores, manutenção do pacote de perfuração, sistemas de controle, equipamentos submarinos, recuperação e pintura do casco.

Segundo a Foresea, o projeto exigiu mais de um ano de planejamento e foi concluído sem acidentes registráveis.

Esse caso representa perfeitamente uma diferença fundamental entre gestão de curto e longo prazo.

Uma empresa mal administrada olha para manutenção apenas como despesa.

Uma empresa preparada olha para integridade de ativos como condição para continuar existindo.

Porque uma sonda parada inesperadamente não representa apenas manutenção.

Representa perda de receita, impacto contratual, mobilização de equipes, risco operacional e, dependendo do problema, consequências para o cliente.

Prevenir custa.

Mas não prevenir pode custar muito mais.


Pessoas são parte do ativo

Existe ainda outro componente importante na estratégia da companhia.

Capacitação.

A Foresea criou, em parceria com a UnIBP, a Drilling Academy, programa destinado ao desenvolvimento técnico de profissionais envolvidos diretamente nas operações de perfuração.

Entre os profissionais contemplados estão supervisores de perfuração, toolpushers e drillers, com conteúdos relacionados à construção de poços, operações submarinas, procedimentos e novas tecnologias.

Isso revela outra importante característica de gestão.

Tecnologia sozinha não produz excelência operacional.

Uma empresa pode possuir uma das melhores sondas do mundo.

Pode comprar sistemas modernos.

Pode automatizar processos.

Pode instalar sensores e utilizar inteligência artificial.

Mas alguém precisa compreender aquela tecnologia, tomar decisões e reagir quando aquilo que estava previsto deixa de acontecer.

No final, tecnologia potencializa pessoas.

Ela não elimina a importância delas.


Gestão também significa saber se adaptar

A própria cultura declarada pela Foresea ajuda a entender essa lógica.

Entre os comportamentos definidos pela companhia estão priorizar as necessidades dos clientes, cuidar das pessoas e do meio ambiente, confiar no potencial das equipes, agir com precisão, adaptar-se às mudanças, construir relações de confiança e atuar com ética e integridade.

Pode parecer discurso corporativo.

Mas o teste real de uma cultura empresarial acontece quando surgem problemas.

E 2026 oferece um bom exemplo.

A Foresea informou que enfrentou uma interrupção operacional temporária no primeiro trimestre. No segundo trimestre, comunicou que o problema havia sido solucionado e que suas operações tinham retornado aos níveis históricos de desempenho.

Ao mesmo tempo, concluiu a parada programada da Norbe IX e manteve previstas intervenções nas ODN I e ODN II antes do início de seus próximos contratos.

Gestão não significa impedir que qualquer problema aconteça.

Isso é praticamente impossível.

Gestão significa construir uma organização capaz de identificar problemas, reagir, aprender, corrigir e continuar operando.


Os números começam a mostrar o resultado dessa estratégia

Quando gestão operacional funciona, os efeitos eventualmente aparecem também nos números.

A Foresea encerrou 2024 com aproximadamente US$ 1,7 bilhão em backlog, EBITDA ajustado superior a US$ 180 milhões e margem de aproximadamente 37%.

No primeiro trimestre de 2026, aproximadamente US$ 615 milhões foram adicionados à carteira de contratos.

Com isso, o backlog se aproximou de US$ 1,9 bilhão e a frota própria ficou totalmente contratada até o quarto trimestre de 2027.

Existe uma relação importante aqui.

Uma empresa não consegue construir uma carteira bilionária apenas possuindo equipamentos.

O cliente precisa confiar que esses equipamentos estarão disponíveis.

Que as pessoas serão capazes de operá-los.

Que os procedimentos serão cumpridos.

Que os riscos serão administrados.

E que a empresa continuará existindo e entregando durante todo o contrato.

No offshore, confiança também é um ativo.


E então chegamos ao Amapá

É nesse contexto que a presença da ODN II no poço Morpho ganha um significado maior.

A unidade foi escolhida anteriormente pela Petrobras como ativo pioneiro da Foresea para atuação na Margem Equatorial.

Agora, a mesma sonda participa de uma campanha que identificou hidrocarbonetos em uma das regiões exploratórias mais observadas do Brasil.

Ainda será necessário conhecer melhor o potencial comercial dessa descoberta.

Uma descoberta exploratória não significa automaticamente produção.

Mas, do ponto de vista de gestão, existe algo que já pode ser observado.

Quando uma oportunidade histórica apareceu, havia uma empresa preparada para executar o trabalho.

E preparação não acontece de uma hora para outra.


O crescimento pode ser consequência, não ponto de partida

Talvez esse seja um dos maiores ensinamentos da trajetória recente da Foresea.

Empresas frequentemente colocam crescimento como objetivo principal.

Queremos faturar mais.

Queremos novos clientes.

Queremos novos contratos.

Queremos aumentar participação no mercado.

Mas existe outra maneira de enxergar crescimento.

Primeiro construa uma organização capaz de entregar.

Depois o mercado começa a reconhecer essa capacidade.

A Foresea hoje possui backlog próximo de US$ 1,9 bilhão e frota própria contratada até o último trimestre de 2027. Também vem ampliando sua atuação para serviços de operação e gestão de ativos de terceiros.

Se o mercado brasileiro de perfuração permanecer aquecido, especialmente com novas campanhas no pré-sal e o avanço exploratório da Margem Equatorial, essa experiência operacional poderá se transformar em novas oportunidades.

Mas o crescimento sustentável dependerá justamente da manutenção dos princípios que permitiram chegar até aqui.

Disciplina financeira.

Integridade dos ativos.

Segurança.

Treinamento.

Tecnologia.

Pessoas.

Relacionamento com clientes.

E capacidade de adaptação.


O petróleo foi encontrado no fundo do mar. O resultado começou muito antes.

Talvez essa seja a principal reflexão deixada pelo poço Morpho.

Quando vemos uma sonda no meio do oceano perfurando milhares de metros abaixo da superfície, estamos vendo apenas a parte visível de uma organização muito maior.

Por trás daquela operação existem engenheiros, técnicos, operadores, profissionais de manutenção, logística, segurança, suprimentos, planejamento, gestão, administração e inúmeras outras áreas.

Por isso, quando Rogério Ibrahim foi até a ODN II agradecer pessoalmente à equipe, a mensagem ultrapassou o reconhecimento individual.

Ela mostrou algo fundamental sobre liderança.

Resultados precisam ser celebrados.

Mas as pessoas que construíram esses resultados precisam ser reconhecidas.

Porque petróleo pode estar a milhares de metros abaixo do fundo do oceano.

Tecnologia pode custar centenas de milhões de dólares.

Contratos podem valer bilhões.

Mas nenhuma empresa constrói excelência operacional apenas com equipamentos.

São as pessoas, apoiadas por processos, cultura, tecnologia e boa gestão, que transformam ativos em resultados.

E talvez seja justamente essa a maior oportunidade da Foresea nos próximos anos.

Não apenas crescer em tamanho.

Mas provar que uma empresa brasileira de perfuração pode transformar segurança, excelência operacional, desenvolvimento de pessoas e visão de longo prazo em vantagem competitiva.

O caso da Foresea deixa uma mensagem que serve não apenas para o setor de petróleo e gás, mas para qualquer empresa:

o resultado aparece no final. A gestão começa muito antes.


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Informação, indústria, energia e as histórias de quem constrói o futuro offshore brasileiro.

Sobre o autor

JF
Juliana Frasson

Juliana Frasson é colaborador do Mundo Offshore.

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