Rio de Janeiro pode receber R$ 526 bilhões em investimentos até 2028 e petróleo e gás lideram expansão industrial
Levantamento da Firjan revela quase R$ 200 bilhões em projetos de petróleo e gás em andamento, enquanto Petrobras, Braskem e outros grupos ampliam perspectivas para refinarias, plataformas, portos e indústrias. Oportunidades podem movimentar milhares de empresas e profissionais.
O Rio de Janeiro está no centro de um dos maiores ciclos de investimentos industriais e energéticos do Brasil. Entre 2026 e 2028, o estado poderá receber aproximadamente R$ 526,3 bilhões em investimentos públicos e privados, conforme levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
O montante reúne R$ 327,6 bilhões em projetos já em andamento e outros R$ 198,7 bilhões em investimentos potenciais, que ainda dependem de diferentes etapas de concretização.
Mas o que chama a atenção não é apenas o volume de recursos. É a capacidade desses investimentos de transformar a economia fluminense, fortalecer cadeias produtivas e criar oportunidades para trabalhadores, empresas fornecedoras e novos negócios.
O petróleo e o gás continuam como protagonistas desse movimento, acompanhados por projetos de refino, petroquímica, infraestrutura portuária, indústria naval e modernização industrial.
Petróleo e gás concentram grande parte dos investimentos
O setor de energia responde pela maior parcela dos investimentos em andamento identificados no levantamento da Firjan, com aproximadamente R$ 215,7 bilhões.
Dentro desse universo, cerca de R$ 198,6 bilhões estão associados a projetos de petróleo e gás.
A dimensão desses números revela a importância estratégica das bacias de Campos e Santos para a economia brasileira.
Empresas como Petrobras, Shell e Equinor participam do desenvolvimento de campos produtores, projetos de exploração e produção e instalações offshore.
Esses empreendimentos envolvem muito mais do que a extração de petróleo.
Cada plataforma demanda equipamentos, engenharia, manutenção, sistemas de automação, instrumentos de medição, válvulas industriais, tubulações, logística marítima e profissionais especializados.
Além disso, existe uma cadeia de fornecedores que inclui desde grandes fabricantes internacionais até pequenas empresas de serviços instaladas em municípios fluminenses.
É nesse ambiente que cidades como Macaé, Campos dos Goytacazes, Rio das Ostras e São João da Barra assumem importância para a indústria nacional.
Petrobras e Complexo Boaventura: R$ 33 bilhões em refino e petroquímica
Um dos principais movimentos anunciados para o estado envolve a Petrobras e a expansão de suas operações industriais.
Em julho de 2025, a companhia detalhou um pacote de aproximadamente R$ 33 bilhões para projetos de refino e petroquímica no Rio de Janeiro, incluindo R$ 29 bilhões de investimentos próprios e cerca de R$ 4 bilhões relacionados a um projeto integrado de outra empresa.
Entre os destaques está a integração do Complexo de Energias Boaventura, localizado em Itaboraí, com a Refinaria Duque de Caxias (REDUC).
O investimento estimado nesse projeto é de R$ 26 bilhões.
A integração pretende ampliar a oferta de derivados, desenvolver novas capacidades industriais e aumentar a eficiência das unidades.
Segundo a Petrobras, o projeto poderá proporcionar:
- Ampliação de 76 mil barris por dia na produção de diesel S-10, incluindo 20 mil barris por dia de capacidade adicional e 56 mil barris por dia resultantes da mudança de qualidade do combustível.
- Acréscimo de 20 mil barris por dia na capacidade de produção de querosene de aviação.
- Ampliação de 12 mil barris por dia na produção de lubrificantes do Grupo II.
- Desenvolvimento de instalações para produção de combustíveis de menor intensidade de carbono.
A companhia também anunciou estudos e projetos relacionados à produção de combustíveis sustentáveis de aviação, combustíveis renováveis e produtos petroquímicos.
O pacote divulgado em 2025 foi associado a um potencial superior a 38 mil empregos diretos e indiretos. Essa projeção depende da execução dos empreendimentos e não significa a existência imediata de igual número de vagas abertas.
Braskem e a expansão da indústria petroquímica
Outra iniciativa relevante é a expansão planejada da produção de polietileno da Braskem em Duque de Caxias.
O investimento divulgado está na faixa de R$ 4 bilhões e poderá ampliar em até 230 mil toneladas por ano a capacidade produtiva da unidade.
O projeto prevê aproveitamento de gás natural processado pelo sistema Rota 3, ligado ao Complexo Boaventura.
A iniciativa é importante porque conecta o processamento de gás natural à fabricação de matérias-primas utilizadas pela indústria.
O polietileno está presente em embalagens, tubulações, recipientes, componentes industriais e diversos produtos consumidos diariamente.
Portanto, investimentos em petroquímica podem beneficiar não apenas o setor energético, mas também fabricantes de plásticos e outras cadeias de transformação industrial.
A Petrobras esclareceu que a expansão ainda dependia das aprovações corporativas necessárias quando o projeto foi anunciado.
Porto do Açu: logística, indústria e novas fontes de energia
Localizado em São João da Barra, no Norte Fluminense, o Porto do Açu representa um dos maiores polos de expansão logística e industrial do estado.
O empreendimento informa uma perspectiva de mais de R$ 22 bilhões em investimentos ao longo de dez anos.
A projeção envolve oportunidades relacionadas à infraestrutura portuária, logística, energia e instalação de novas atividades industriais.
O complexo reúne terminais especializados, operações de exportação de minério e petróleo, bases de apoio offshore e geração termelétrica.
Entre as oportunidades estratégicas estão projetos associados à descarbonização, ao hidrogênio de baixo carbono, à infraestrutura energética e à economia circular.
O potencial de desenvolvimento do Porto do Açu também oferece perspectivas para empresas de manutenção, engenharia, transporte, movimentação de cargas, instrumentação e automação.
É importante diferenciar os valores: a projeção de R$ 22 bilhões corresponde a um horizonte de dez anos e não deve ser somada integralmente aos investimentos previstos pela Firjan para 2026 a 2028.
Macaé e Norte Fluminense continuam estratégicos para a indústria offshore
Conhecida pela forte presença da indústria de petróleo e gás, Macaé continua desempenhando papel importante no suporte às atividades offshore.
A região reúne bases operacionais, empresas de manutenção, fabricantes de equipamentos, prestadores de serviços marítimos e fornecedores especializados.
O desenvolvimento de campos de petróleo e a continuidade da operação de plataformas podem estimular demandas por manutenção de equipamentos, inspeção, automação, sistemas elétricos, equipamentos submarinos e serviços de apoio.
Municípios próximos, como Rio das Ostras e Campos dos Goytacazes, também participam dessa cadeia produtiva.
Além das atividades ligadas à produção, o descomissionamento de plataformas e a destinação adequada de estruturas offshore representam oportunidades para novos serviços industriais.
O reaproveitamento de materiais, a reciclagem de estruturas metálicas e a recuperação de equipamentos podem contribuir para ampliar a atividade econômica regional, desde que os projetos sejam viáveis e atendam às exigências ambientais e de segurança.
Indústria naval e construção de submarinos em Itaguaí
O crescimento industrial fluminense não depende exclusivamente da exploração de petróleo.
Em Itaguaí, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) representa uma importante frente tecnológica e industrial.
A construção e integração de submarinos envolvem processos sofisticados de engenharia, fabricação, soldagem especializada, sistemas eletrônicos e controle industrial.
Esse tipo de empreendimento contribui para o desenvolvimento de competências tecnológicas e para a formação de profissionais especializados.
A indústria naval também pode encontrar oportunidades em reparos, modernização de embarcações, manutenção de equipamentos e serviços ligados à navegação e às operações offshore.
Entretanto, a evolução dessas oportunidades dependerá da execução dos programas, dos contratos e da capacidade dos fornecedores nacionais.
Volta Redonda e Porto Real: indústria além do petróleo
No Sul Fluminense, a indústria de transformação permanece como importante fonte de atividade econômica.
Em Volta Redonda, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) representa uma das principais referências da siderurgia brasileira.
A modernização de instalações siderúrgicas envolve investimentos em confiabilidade operacional, automação, sistemas de controle, eficiência energética e manutenção industrial.
Já em Porto Real, a presença da Stellantis fortalece a cadeia automotiva e estimula oportunidades relacionadas à produção, tecnologia industrial, componentes e serviços especializados.
Essas atividades demonstram que o Rio de Janeiro possui uma estrutura econômica industrial diversificada, embora o petróleo e o gás continuem sendo responsáveis pela maior concentração de investimentos mapeados.
Mercado de trabalho: quais profissões podem ganhar espaço?
Os investimentos industriais anunciados e mapeados representam uma perspectiva importante para os profissionais que desejam trabalhar na indústria.
Entre as especialidades potencialmente beneficiadas estão técnicos de instrumentação, automação, elétrica, mecânica, planejamento, segurança do trabalho e inspeção industrial.
Também poderão ser demandados soldadores, caldeireiros, montadores de estruturas metálicas, operadores de equipamentos, profissionais de logística e engenheiros de diferentes especialidades.
Projetos de grande porte exigem atividades que começam antes da construção e continuam durante toda a vida operacional das instalações.
Na implantação, surgem demandas ligadas a projeto, fabricação, montagem e comissionamento.
Na operação, tornam-se fundamentais os serviços de manutenção, inspeção, confiabilidade, controle de processos e segurança.
Segundo a Firjan, os empreendimentos mapeados poderão envolver cerca de 607 mil trabalhadores ocupados por ano durante a fase de implantação e demandar aproximadamente 638 mil trabalhadores na operação.
Essas estimativas não equivalem a 607 mil ou 638 mil novas vagas disponíveis. Elas representam projeções de ocupação relacionadas ao conjunto dos investimentos estudados, que inclui setores além da indústria energética.
Oportunidade também para quem deseja fornecer produtos e serviços
Existe outro aspecto desses investimentos que merece atenção: o crescimento potencial do mercado fornecedor.
Uma empresa não precisa ser proprietária de uma refinaria, plataforma ou terminal portuário para participar do desenvolvimento industrial.
Empresas especializadas podem atender demandas por manutenção de bombas e compressores, fornecimento de válvulas e instrumentos, fabricação de painéis elétricos, sistemas de automação, serviços de engenharia, treinamento, transporte e inspeção.
Além disso, empreendimentos industriais precisam de equipamentos de proteção individual, serviços de alimentação, limpeza técnica, instalações provisórias, tecnologia da informação e diversos outros produtos e serviços.
Para participar desse mercado, entretanto, é necessário conhecer os processos de contratação, atender aos requisitos técnicos e demonstrar capacidade de execução, qualidade e segurança.
Os investimentos previstos criam possibilidades comerciais, mas não garantem contratos automaticamente.
Os desafios para transformar investimentos em desenvolvimento
Apesar das cifras expressivas, a execução dos projetos depende de fatores importantes.
Licenciamento ambiental, disponibilidade de financiamento, condições econômicas, custos de equipamentos, infraestrutura logística, qualificação da mão de obra e segurança jurídica podem influenciar o ritmo dos investimentos.
Outro desafio está na capacidade de ampliar a participação da indústria brasileira na cadeia de fornecimento.
A chegada de novos projetos pode representar uma oportunidade para fortalecer fabricantes nacionais, desenvolver fornecedores regionais e aumentar a oferta de qualificação profissional.
Para o Rio de Janeiro, o desafio será transformar os investimentos anunciados em instalações operacionais, empregos qualificados, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico duradouro.
Conclusão: o Rio de Janeiro pode viver um novo ciclo de desenvolvimento industrial
Os R$ 526,3 bilhões identificados pela Firjan colocam o Rio de Janeiro em posição de destaque no mapa nacional de investimentos.
O petróleo e o gás continuam liderando as oportunidades, mas o desenvolvimento também alcança o refino, a petroquímica, a indústria naval, a siderurgia, o setor automotivo e a infraestrutura logística.
A integração entre essas atividades poderá fortalecer a competitividade do estado e gerar oportunidades para trabalhadores e empresas fornecedoras.
O maior desafio será converter esse potencial em investimentos efetivamente realizados, empregos sustentáveis e fortalecimento da indústria nacional.
O Mundo Offshore continuará acompanhando os grandes projetos industriais, os investimentos em petróleo e gás e as oportunidades que surgirem para profissionais e empresas em todas as regiões do Brasil.
Porque conhecer os investimentos de hoje é uma das melhores formas de se preparar para as oportunidades de amanhã.
Fontes e referências
- Firjan — Panorama dos Investimentos no Estado do Rio de Janeiro 2026–2028. Publicado em 31 de março de 2026.
https://www.firjan.com.br/noticias/estado-do-rio-pode-receber-mais-de-r-526-bi-em-investimentos-ate-2028-aponta-firjan.htm - Petrobras — Investimentos em refino e petroquímica no Rio de Janeiro. Publicado em 3 de julho de 2025.
https://agencia.petrobras.com.br/w/petrobras-informa-sobre-investimentos-em-refino-e-petroquimica-no-rio-de-janeiro - Ministério de Minas e Energia — Pacote de R$ 33 bilhões para refino e petroquímica. Publicado em 4 de julho de 2025.
https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/ao-lado-de-lula-silveira-anuncia-retomada-do-setor-de-refino-com-investimentos-de-r-33-bilhoes - Porto do Açu — Infraestrutura e perspectivas de investimentos.
https://portodoacu.com.br/o-porto/
Nota editorial: os valores correspondem aos anúncios e levantamentos publicados nas datas indicadas. Projetos potenciais, estimativas de longo prazo e investimentos já incluídos no estudo da Firjan não foram somados novamente ao total estadual.
Sobre o autor

Diretor de criação
Thelmo Tonini, conhecido como “Amerikano”, é criador do Mundo Offshore e uma das principais vozes da indústria de petróleo e energia no Brasil. Com milhões de visualizações nas redes, transforma temas complexos do setor em conteúdos acessíveis, diretos e impactantes, conectando profissionais, empresas e curiosos sobre o universo offshore..
