DOF: a gigante norueguesa que movimenta bilhões, gera empregos e aposta no futuro do offshore brasileiro
Com contratos próximos de US$ 2 bilhões para quatro novas embarcações, operações em águas profundas e mais de 2 mil empregados no Brasil, companhia reforça a conexão estratégica entre Noruega e Brasil.
Quando uma embarcação offshore deixa o porto e segue em direção ao alto-mar, existe muito mais do que aço, motores e equipamentos a bordo. Existe engenharia, tecnologia, planejamento, profissionais qualificados e uma cadeia industrial inteira trabalhando para que a operação aconteça.
É nesse universo que a norueguesa DOF Group construiu sua trajetória.
Com atuação internacional em serviços marítimos e submarinos, a companhia se consolidou como uma importante fornecedora de soluções para a indústria de energia. No Brasil, sua presença ganhou ainda mais relevância com contratos de longo prazo, embarcações especializadas e investimentos voltados à continuidade das operações em águas profundas.
E os números ajudam a explicar a dimensão dessa história.
US$ 1,87 bilhão em receita: a dimensão global da DOF
Em 2025, a DOF registrou receita de aproximadamente US$ 1,87 bilhão, segundo seu relatório anual.
O resultado revela a escala de uma organização que combina embarcações offshore, engenharia submarina, gerenciamento de projetos e operações de alta complexidade.
Entre suas atividades estão o apoio marítimo, o manuseio de âncoras, as inspeções submarinas, a manutenção de equipamentos instalados no fundo do mar e os serviços executados com veículos submarinos operados remotamente, conhecidos como ROVs.
Essas operações exigem muito mais do que grandes embarcações. Dependem de equipes multidisciplinares, sistemas de posicionamento dinâmico, equipamentos de precisão e rigorosos procedimentos de segurança.
Brasil: um dos grandes pilares da operação
A relação da DOF com o Brasil ultrapassa duas décadas. Em 2025, a empresa celebrou 25 anos de presença no país.
Segundo o relatório anual da companhia, o quadro de empregados no Brasil passou de 1.807, em 2024, para 2.164, em 2025.
Isso representa 357 empregados adicionais no período, um crescimento de aproximadamente 19,8%.
São profissionais envolvidos em diferentes etapas da operação offshore: tripulações marítimas, engenharia, manutenção, logística, operações submarinas, gestão de projetos e atividades de suporte em terra.
A presença da empresa também movimenta fornecedores, estaleiros, prestadores de serviços e empresas especializadas que integram a cadeia produtiva brasileira.
Quatro novas embarcações e contratos próximos de US$ 2 bilhões
Um dos anúncios mais expressivos da companhia em 2026 envolve a contratação de quatro novas embarcações de apoio a ROVs, classificadas como RSVs, para operações da Petrobras.
Os contratos têm duração prevista de 12 anos para cada embarcação e valor agregado próximo de US$ 2 bilhões.
A expectativa anunciada é que os navios sejam construídos no Brasil, com o estaleiro Navship indicado para participar do projeto, e que as operações tenham início a partir de 2030.
Cada embarcação foi projetada com aproximadamente 98 metros de comprimento, 20 metros de boca, sistema de posicionamento dinâmico DP2, guindaste submarino e capacidade para acomodar até 58 pessoas.
Também está prevista a instalação de dois ROVs de trabalho por navio, além de soluções de propulsão híbrida envolvendo etanol, diesel e baterias.
São características que demonstram a evolução tecnológica das embarcações de apoio submarino e a necessidade de operações cada vez mais especializadas.
Para a indústria brasileira, a construção desses navios representa uma oportunidade de movimentação de atividades ligadas à engenharia naval, fabricação, montagem, automação, instrumentação, elétrica, mecânica e integração de sistemas.
É importante destacar que o valor anunciado corresponde aos contratos de afretamento e serviços ao longo de 12 anos, e não exclusivamente ao custo de construção das embarcações.
Tecnologia submarina: onde a engenharia encontra as profundezas
O trabalho da DOF não termina na superfície.
Nas operações submarinas, ROVs equipados com câmeras, sensores, ferramentas e braços manipuladores permitem executar inspeções e intervenções em equipamentos instalados no fundo do oceano.
Esses robôs podem participar de atividades de inspeção de dutos, verificação de estruturas, manutenção e apoio à instalação de sistemas submarinos.
A tecnologia reduz a necessidade de exposição humana direta a ambientes de grande profundidade e amplia a capacidade de executar tarefas complexas com controle remoto.
A DOF também vem incorporando veículos submarinos autônomos, os AUVs. Um exemplo é o contrato do Skandi Commander, anunciado em dezembro de 2025, que prevê a utilização de um AUV além de um ROV.
A combinação dessas tecnologias demonstra como o setor offshore está avançando em direção a operações mais digitalizadas, com maior capacidade de coleta e processamento de dados.
Skandi Iguaçu: força para operações de grande porte
Entre as embarcações associadas à atuação da DOF no Brasil está o Skandi Iguaçu, um AHTS de grande capacidade.
A embarcação possui capacidade de tração estática superior a 350 toneladas-força, característica fundamental para operações de manuseio de âncoras e apoio a unidades offshore.
Em dezembro de 2025, a DOF anunciou extensões contratuais envolvendo o Skandi Iguaçu e outros navios de sua frota brasileira, reforçando a continuidade de suas operações no país.
A dimensão dessas embarcações mostra como a indústria offshore depende de engenharia naval avançada e equipamentos capazes de atuar em condições marítimas exigentes.
Brasil e Noruega: uma conexão que movimenta a indústria
A trajetória da DOF também representa uma relação industrial importante entre Brasil e Noruega.
De um lado, a experiência norueguesa em operações marítimas, engenharia submarina e tecnologia offshore. Do outro, a capacidade produtiva brasileira, seus profissionais especializados, sua indústria naval e uma das maiores províncias petrolíferas em águas profundas do mundo.
Essa combinação cria oportunidades para o desenvolvimento de competências técnicas, a modernização de embarcações e a continuidade de projetos de longo prazo.
O impacto potencial vai além dos navios. A cadeia de suprimentos envolve fabricantes de equipamentos, empresas de manutenção, logística portuária, treinamento, tecnologia e serviços industriais.
Por trás dos bilhões, existem pessoas
Os grandes números impressionam. Mas nenhuma embarcação opera apenas com investimentos.
Por trás de cada contrato estão comandantes, oficiais de náutica, marinheiros, operadores de ROV, técnicos de instrumentação, eletricistas, mecânicos, engenheiros, profissionais de segurança, cozinheiros, equipes de logística e trabalhadores em terra.
São pessoas que enfrentam longos períodos embarcadas, trabalham em ambientes exigentes e assumem responsabilidades fundamentais para a segurança e a continuidade operacional.
A DOF é uma demonstração de como o setor offshore reúne tecnologia avançada e trabalho humano altamente especializado.
E, quando uma empresa dessa dimensão amplia sua presença no Brasil, o debate precisa incluir não apenas os contratos anunciados, mas também a formação profissional, a qualificação da mão de obra, a segurança operacional e as oportunidades para a indústria nacional.
O futuro do offshore brasileiro já está sendo contratado
Os novos contratos de longa duração mostram que as operações submarinas brasileiras continuam demandando embarcações modernas, profissionais especializados e investimentos em tecnologia.
A previsão de início das atividades das quatro novas RSVs a partir de 2030 evidencia que decisões tomadas hoje ajudam a definir a estrutura operacional da próxima década.
Para o Brasil, o desafio é transformar essa demanda em desenvolvimento industrial, qualificação, empregos e fortalecimento da cadeia produtiva.
A DOF, com sua origem norueguesa e sua presença consolidada no mercado brasileiro, é um dos exemplos dessa conexão.
Porque, no fim das contas, a força do offshore não está apenas no tamanho das embarcações ou nos bilhões envolvidos. Está também nas pessoas que fazem tudo isso acontecer.
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Sobre o autor

Diretor de criação
Thelmo Tonini, conhecido como “Amerikano”, é criador do Mundo Offshore e uma das principais vozes da indústria de petróleo e energia no Brasil. Com milhões de visualizações nas redes, transforma temas complexos do setor em conteúdos acessíveis, diretos e impactantes, conectando profissionais, empresas e curiosos sobre o universo offshore..
