Gutemberg Dias afirma que, para garantir a reposição das reservas brasileiras, os projetos da margem equatorial devem ser destravados

O setor de gás e óleo do Brasil está sendo gravemente afetado pela expansão das reservas encontradas em países vizinhos

A recente descoberta de vastas reservas de petróleo na Guiana e no Suriname está causando uma redefinição marcante no panorama energético da região. Esses achados não apenas estão transformando a dinâmica econômica desses países, mas também estão exercendo uma influência direta sobre as perspectivas de produção de petróleo no Brasil.

A extensão das reservas descobertas nos países vizinhos está provocando um profundo impacto no setor de óleo e gás brasileiro. Isso é particularmente significativo dada a amplitude da Margem Equatorial do Brasil, que é substancialmente maior do que a da Guiana e do Suriname. Essa diferença geográfica ressalta tanto as oportunidades quanto os desafios que o Brasil enfrentará à medida que busca otimizar sua exploração de recursos petrolíferos.

Além disso, a ascensão dessas novas reservas na Guiana e no Suriname está gerando um intenso debate sobre questões geopolíticas e ambientais na região. A competição por recursos, o desenvolvimento sustentável e as relações entre os países da América do Sul estão sendo reavaliados à medida que os interesses energéticos se entrelaçam com considerações ambientais e estratégicas.

Em suma, a descoberta de petróleo na Guiana e no Suriname não apenas está reconfigurando o cenário energético regional, mas também está desencadeando uma série de implicações e desafios complexos que precisam ser cuidadosamente considerados e abordados pelo Brasil e seus vizinhos.

O Brasil, com sua vasta experiência na exploração de petróleo em águas profundas e ultra profundas, está estrategicamente posicionado para capitalizar as recentes descobertas na Guiana e no Suriname e transformá-las em fonte de riqueza e desenvolvimento para a região Norte/Nordeste. Esta visão é compartilhada por especialistas influentes no setor, como Gutemberg Dias, ex-presidente da Redepetro RN e professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Dias destaca que a expertise do Brasil na exploração offshore, adquirida ao longo de décadas de investimentos e desenvolvimento tecnológico, constitui uma vantagem competitiva significativa. Essa expertise, aliada aos recursos naturais disponíveis na Margem Equatorial brasileira, cria uma oportunidade única para o país alavancar as descobertas vizinhas em benefício próprio.

“Estudo mais recente divulgado pelo Observatório Nacional da Industria da CNI – Confederação Nacional da Indústria projeta um incremento de R$ 65 bilhões no PIB nacional com a exploração dessas reservas, R$ 3,87 bilhões à arrecadação indireta e geração de 320 mil novos empregos”, afirmou

De acordo com Gutemberg Dias, é de extrema importância que o Brasil resolva prontamente as questões de licenciamento que estão atualmente impedindo a perfuração das áreas recém-descobertas de petróleo.

“No mais, podemos dizer que a ‘Margem Equatorial é um mar de oportunidades’ e precisamos, urgentemente, dar vazão aos projetos. Eles serão essenciais à reposição de nossas reservas e, pela pujança dos reservatórios descobertos, poderão colocar o Brasil em um outro patamar dentre os países com reservas e exploração de petróleo”, declarou.

Qual foi o impacto da descoberta de petróleo na Guiana e no Suriname para a perspectiva de produção de petróleo no Brasil?

“A Margem Equatorial surge em 2015, na Guiana, com a descoberta de petróleo em sua margem continental pela ExxonMobil. Dessa descoberta até hoje já se vão nove anos, e as reservas do país saíram de zero para 11 bilhões de barris, equivalendo a aproximadamente 75% da reserva brasileira que é medida em 14,8 bilhões de barris.

Salienta-se que pesquisas recentes projetam uma reserva próxima dos 17 bilhões, ou seja, é um salto gigantesco para um país que não produzia uma gota de petróleo e, em poucos anos, será um dos maiores produtores do mundo. Destaca-se que a produção na Guiana foi iniciada em 2019, e hoje, a Exxon Mobil produz 375 mil barris (boe/dia) com planejamento para produzir mais de 1 milhão barris (boe/dia) até 2027.

Na mesma leva, o Suriname fez sua primeira descoberta em 2020 e já tem reservas aprovadas da ordem de 4 bilhões de barris. Existe a perspectiva para que se inicie a produção no país em 2025 e várias empresas, também, se mobilizam para atuar na região.

As descobertas nesses dois países projetam para o Brasil um cenário muito positivo, haja vista que a Margem Equatorial brasileira é bem mais extensa que a da Guina e do Suriname juntas. Além disso, o país já tem uma enorme expertise na exploração de petróleo em águas profundas e ultra profundas, a exemplo do Pré-Sal, que elevou a produção brasileira para mais de 4 milhões de boe por dia.”

Esse potencial da Margem Equatorial brasileira está trazendo, inclusive, uma perspectiva de novos investimentos para a região Norte…

Exatamente. Com os resultados das acumulações na Guiana e no Suriname, a bacia da Foz do Amazonas apresenta um interesse elevado por parte das operadoras para realização das pesquisas exploratórias. Porém, em função das questões relacionadas ao licenciamento ambiental junto ao IBAMA – inclusive com um licenciamento de um poço exploratório negado para a Petrobras no ano passado – ainda não há pesquisa exploratória iniciada.

No outro extremo, a Bacia Potiguar surge como opção imediata para os operadores que detêm blocos, haja vista que as descobertas de acumulações pela Petrobras, em Pitu Oeste e Anhangá, projetam novas descobertas e, de certa forma, indicam redução dos riscos para os demais concessionários.

Os investimento projetados para a exploração da Margem Equatorial somam um montante de mais de 1,09 bilhão de dólares para as concessões já licitadas pela ANP no ano de 2024. Isso equivale a aproximadamente 95% dos investimentos previstos nas concessões em operação em desenvolvimento no Pré-Sal, águas profundas e em terra. Essas informações fazem parte dos dados consolidados em 19/04/2024, disponíveis no Painel Dinâmico de Previsão de Investimentos na Fase de Exploração dos contratos de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural da ANP. Destaca-se que, só a Petrobrás tem previsto, no seu planejamento 2023-2027, o investimento de 3,2 bilhões de dólares na Margem Equatorial.

Estudo mais recente divulgado pelo Observatório Nacional da Industria da CNI – Confederação Nacional da Indústria projeta um incremento de R$ 65 bilhões no PIB nacional com a exploração dessas reservas, R$ 3,87 bilhões à arrecadação indireta e geração de 320 mil novos empregos.

E em relação, especificamente, para o Rio Grande do Norte? Qual será o impacto?

A previsão para o Rio Grande do Norte, que saiu na frente na perfuração exploratória, pode adicionar ao PIB o valor de R$ 10,8 bilhões, correspondendo a um acréscimo de 15,9%, bem como, geração de 54.304 empregos. Esse estudo denota a importância para a economia do Brasil e dos estados que estão inseridos na Margem Equatorial.

É importante entender que, além dos investimentos e da geração de impostos e empregos, ainda teremos um forte investimento na pesquisa e inovação. Também na estruturação de hubs de bens, serviços e materiais na região, com objetivo de atender a todas as operações. Ou seja, são inúmeras as oportunidades de negócios para segmento de E&P, principalmente, no Norte/Nordeste.

Apesar de todo esse potencial de produção e investimentos, a realidade é que o Brasil está um pouco distante de começar a produzir na região. Como avalia isso?

Nem tudo são flores, haja visto que existem gargalos técnicos e burocráticos que precisam ser vencidos. Um deles é o licenciamento ambiental que hoje, na escala de projeto, é o item com maior criticidade, e que merece uma grande atenção por parte do Governo Federal, já que o licenciamento ambiental antecede o início das operações de pesquisa e impacta todo o cronograma dos projetos.

No mais, podemos dizer que a “Margem Equatorial é um mar de oportunidades” e precisamos, urgentemente, dar vazão aos projetos. Eles serão essenciais à reposição de nossas reservas e, pela pujança dos reservatórios descobertos, poderão colocar o Brasil em um outro patamar dentre os países com reservas e exploração de petróleo.

A Margem Equatorial brasileira abrange desde o estado do Amapá até o Rio Grande do Norte, o último dos quais tem uma história de extração de petróleo em águas rasas e em terra. 42 blocos nas bacias Potiguar, Ceará, Barreirinhas, Pará-Maranhão e Foz do Amazonas já foram licitados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

A pesquisa na bacia Potiguar já está em andamento e dois poços exploratórios revelaram acumulações significativas de hidrocarbonetos. A Petrobras começou a perfurar dois poços nos blocos de Pitu (BM-POT-17) e Anhangá (POT M-762_R15) no início de 2024. Essas descobertas mostram o potencial petrolífero das águas da Margem Equatorial e representam um avanço promissor na exploração da região.

Além da Petrobras, que detém concessões em todas as bacias brasileiras, outras empresas estão explorando o petróleo nas bacias. A TotalEnergies opera na bacia de Barreirinhas, enquanto a Shell opera nas bacias de Barreirinhas e Potiguar. A Galp e a BP têm concessões na bacia de Barreirinhas e parcerias com a Petrobras em outros locais. A BP também opera na bacia.

Outras empresas envolvidas na exploração incluem a Enauta, que opera nas bacias Pará-Maranhão e Foz do Amazonas; PRIO, que opera na Foz do Amazonas; Murphy, que opera na bacia Potiguar; 3R Petroleum, que opera na bacia de Barreirinhas; Chariot, que opera na bacia de Barreirinhas; Sinopec, que opera na bacia Pará-Maranhão; Mitsui E&P, que opera na bacia de Barreirinhas; e Aquamarine, que opera na ba

Brasildescobertaguianagutember diasmargem equatorialpetróleosuriname
Comentários (0)
Adicionar Comentário